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La courbe de tes yeux 

 

 

La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,

Un rond de danse et de douceur,

Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,

Et si je ne sais plus tout ce que j’ai vécu

C’est que tes yeux ne m’ont pas toujours vu.

 

Feuilles de jour et mousse de rosée,

Roseaux du vent, sourires parfumés,

Ailes couvrant le monde de lumière,

Bateaux chargés du ciel et de la mer,

Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

 

Parfums éclos d’une couvée d’aurores

Qui gît toujours sur la paille des astres,

Comme le jour dépend de l’innocence

Le monde entier dépend de tes yeux purs

Et tout mon sang coule dans leurs regards.

 

 

Paul Eluard

 

No tires las cartas de amor



 

Ellas no te abandonarán.

El tiempo pasará, se borrará el deseo

– esta flecha de sombra –

y los sensuales rostros, bellos e inteligentes,

se ocultarán en ti, al fondo de un espejo.

Caerán los años. Te cansarán los libros.

Descenderás aún más

e, incluso, perderás la poesía.

El ruido de ciudad en los cristales

acabará por ser tu única música,

y las cartas de amor que habrás guardado

serán tu última literatura.

 

Joan Margarit

 

 

 

i like my body when it is with your

body. It is so quite new a thing.

Muscles better and nerves more.

i like your body.  i like what it does,

i like its hows.  i like to feel the spine

of your body and its bones, and the trembling

-firm-smooth ness and which i will

again and again and again

kiss, i like kissing this and that of you,

i like, slowly stroking the, shocking fuzz

of your electric furr, and what-is-it comes

over parting flesh… And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

 

e. e. cummings

 

 

Uma voz na pedra

 

 

Não sei se respondo ou se pergunto.

Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.

Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.

De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.

A minha ebriedade é a da sede e a da chama.

Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.

O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.

Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.

Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.

Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.

Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

 

 

António Ramos Rosa